Espanha sofre, mas elimina a Bélgica e terá a França na semifinal da Copa do Mundo 2026
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Espanha 2 x 1 Bélgica — Quartas de final da Copa do Mundo 2026 SoFi Stadium, Los Angeles (EUA) Sexta-feira, 10 de julho de 2026, 16h (horário de Brasília) Gols: Fabián Ruiz, 29’/1ºT e Mikel Merino, 42’/2ºT (ESP); De Ketelaere, 39’/1ºT (BEL) Cartões amarelos: Pau Cubarsí e Aymeric Laporte (ESP); Kevin De Bruyne e Axel Witsel (BEL) Arbitragem: Michael Oliver
Dezesseis anos depois do título de 2010, a Espanha volta a uma semifinal de Copa do Mundo. Foi um caminho mais difícil do que os números da campanha sugeriam.
Como foi o jogo
O primeiro tempo seguiu o roteiro esperado: Espanha com a bola, Bélgica esperando atrás. A diferença é que, dessa vez, o script quase não deu certo. A Fúria trabalhou a posse com paciência característica até encontrar uma brecha aos 29 minutos: Lamine Yamal puxou pela direita, Pedro Porro cruzou, Dani Olmo finalizou, Courtois deu rebote e Fabián Ruiz não perdoou. Coisa de time que já sabe onde quer chegar antes de sair de casa.

O problema é que a Espanha, mesmo dominando o jogo, deixou o adversário respirar demais nos espaços que abriu ao empurrar a linha de marcação. Dez minutos depois do gol, a Bélgica usou a única bola parada real que teve: cruzamento de Castagne pela direita, De Ketelaere subiu mais que a zaga espanhola e empatou de cabeça. Um gol de contra-ataque puro, do tipo que pune quem controla a bola mas relaxa na organização defensiva.
O segundo tempo trouxe um elemento que mudou o rumo da partida antes mesmo de qualquer lance ofensivo: o goleiro Courtois sentiu a coxa e precisou sair chorando, substituído por Lammens. A Espanha voltou a proteger a bola, mas foi a Bélgica quem teve a melhor chance da etapa, com Doku e De Cuyper quase surpreendendo Unai Simón. O jogo caminhava para a prorrogação até que, aos 42 minutos, Cubarsí bateu de fora da área, Lammens — ainda se ajustando ao jogo — deu rebote, e Mikel Merino, que entrou do banco, empurrou para o gol da classificação.
Melhores momentos
- 29′ (1ºT): Fabián Ruiz aproveita rebote de Courtois após finalização de Dani Olmo e abre o placar
- 39′ (1ºT): De Ketelaere sobe mais que a defesa espanhola e empata de cabeça, em cruzamento de Castagne
- Intervalo da hidratação (2ºT): Courtois deixa o campo em lágrimas após lesão muscular, substituído por Lammens
- ~10′ (2ºT): Doku e De Cuyper quase viram o jogo em contra-ataque rápido
- 42′ (2ºT): Cubarsí finaliza de fora da área, Lammens dá rebote e Mikel Merino confirma a vaga espanhola
Estatísticas
A Espanha manteve o padrão de posse de bola que já era sua marca registrada no torneio, mas o dado mais relevante da partida não está nas estatísticas gerais — está no contraste entre eficiência e volume. A Fúria era, até esta partida, a única seleção sem sofrer gols na Copa; a Bélgica furou essa defesa logo na primeira chance clara que teve, uma bola aérea. É o tipo de número que expõe uma vulnerabilidade específica: a Espanha sofre bem menos por qualidade de posse do que por solidez em bolas paradas.
Declarações
Mikel Merino, autor do gol da classificação e que já havia decidido nas oitavas contra Portugal saindo do banco, confirmou um padrão que o técnico Luis de la Fuente já vinha destacando havia dias. Antes ainda da fase de quartas, o treinador havia justificado a confiança nos reservas em momentos decisivos: “Os jogadores importantes são os que saem do banco de reservas.”
Antes da partida contra a Bélgica, De la Fuente já havia recusado o rótulo de favorito absoluto e elogiado o adversário: “A Bélgica é uma seleção muito forte, com jogadores acostumados a ganhar títulos e disputar decisões. Até agora, este será o jogo mais difícil que enfrentaremos.” A fala se confirmou dentro de campo — a Espanha teve mais dificuldade contra a Bélgica do que contra Portugal ou Áustria nas fases anteriores.
Repercussão
A queda da Bélgica marca o fim de uma geração. Boa parte do elenco que reencontrou relevância internacional nesta Copa — casos de Courtois, De Bruyne, Witsel e Lukaku, todos com mais de 33 anos — dificilmente estará em campo na edição de 2030, na Espanha, Portugal e Marrocos. A lesão de Courtois, justamente no momento decisivo da partida, virou o símbolo da despedida: um capitão saindo machucado, chorando, sem conseguir evitar o rebote que decidiu o jogo.

Já para a Espanha, a repercussão é de alívio combinado com alerta. A equipe segue com a melhor campanha ofensiva-defensiva combinada do torneio, mas a exibição contra a Bélgica reacendeu uma dúvida que a marca de “zero gols sofridos” escondia: como a Fúria se comporta quando o adversário consegue jogar em transição e cobrar uma bola parada com qualidade.
Próximo adversário: França

A Espanha enfrenta a França na terça-feira (14/7), às 16h (horário de Brasília), pela semifinal da Copa do Mundo 2026. Os franceses chegam como favoritos ao título, liderados por Kylian Mbappé, artilheiro da competição ao lado de Lionel Messi, com oito gols em seis jogos.
O que esperar da semifinal — análise
Aqui é onde a matéria para de narrar e começa a analisar — e a análise começa com uma pergunta simples: a Espanha vai repetir contra a França o mesmo erro que quase custou a vaga contra a Bélgica?
A resposta tática importa mais do que o retrospecto histórico entre as duas seleções. A França de Deschamps não é uma equipe de posse de bola prolongada como a Bélgica tentou ser nos poucos momentos em que teve a bola — é uma seleção construída para castigar exatamente o padrão que a Espanha exibiu nesta sexta-feira: linha alta, presença maciça no campo de ataque e espaço nas costas da defesa. Contra a Bélgica, quem puniu esse espaço foi um cruzamento seguido de cabeçada. Contra a França, quem deve ocupar esse espaço é Mbappé em velocidade — um problema de proporção completamente diferente.
Do outro lado, a Espanha tem em Rodri e Pedri (ou Fabián Ruiz, a depender da escalação) o antídoto mais óbvio: contenção do meio-campo e controle de ritmo. Se a Fúria conseguir impor o próprio jogo como fez durante boa parte dos 90 minutos contra a Bélgica — e não apenas nos primeiros 29 minutos, como de fato aconteceu — a França terá dificuldade até para sustentar posse de bola. O problema é que “impor o próprio jogo durante 90 minutos completos” foi justamente o que a Espanha não conseguiu fazer neste jogo.
Nossa leitura é que o resultado da semifinal deve depender menos de quem tem mais talento individual — a França tem, com folga, a vantagem ofensiva no papel — e mais de qual seleção sofre primeiro um baque tático e como reage a ele. A Bélgica mostrou que é possível incomodar a Espanha com pouco: uma bola aérea e um erro de goleiro bastaram para levar o jogo à base do sofrimento. A França tem repertório ofensivo para gerar mais de uma dessas oportunidades por jogo. Se a Espanha não corrigir a exposição defensiva em bolas de área e em transições rápidas, a França deve encontrar caminho para a decisão sem muito sofrimento; se corrigir, o jogo tende a ser tão equilibrado — e tão nervoso — quanto o que acabamos de assistir contra a Bélgica.
Curiosidades
- É a primeira semifinal de Copa do Mundo da Espanha desde 2010, ano do título.
- Mikel Merino decidiu jogos da Espanha saindo do banco tanto nas oitavas (contra Portugal) quanto nas quartas (contra a Bélgica) — um padrão que já é tema recorrente nas coletivas de De la Fuente.
- A lesão de Courtois interrompeu uma sequência de solidez defensiva da Bélgica que vinha sustentando o time nas fases eliminatórias.
- Mbappé soma oito gols em seis jogos nesta Copa, um a menos que Messi na artilharia do torneio.
Fontes consultadas: Lance!, Correio Braziliense, Terra Esportes, Goal.com Brasil, FIFA.com, Vavel, Observador, Somos Fanáticos
