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Inglaterra x Argentina retrospecto: o histórico completo em Copas do Mundo

Inglaterra x Argentina: o retrospecto completo antes da semifinal mais esperada da Copa

Toda vez que Inglaterra e Argentina se cruzam em uma Copa do Mundo, o jogo vira capítulo à parte na história do futebol. Não é força de expressão: em quatro dos cinco encontros mundialistas entre as duas seleções, aconteceu algo que ficou marcado para sempre — uma expulsão histórica, um gol de mão, uma disputa de pênaltis dramática. Agora, pela primeira vez, elas se enfrentam direto por uma vaga na final, na quarta-feira (15), em Atlanta. Antes da bola rolar, vale entender o retrospecto de Inglaterra x Argentina em Copas do Mundo — e por que esse confronto específico carrega tanto peso.

O que está em jogo antes da bola rolar

A semifinal em Atlanta define o segundo finalista da Copa do Mundo de 2026, ao lado de quem sair de França x Espanha. O vencedor folga até domingo (19), quando decide o título no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Quem perde ainda joga a disputa de terceiro lugar, no sábado (18), em Miami.

As duas seleções chegam embaladas por vitórias sofridas nas quartas de final, ambas decididas na prorrogação. A Inglaterra buscou a virada sobre a Noruega por 2 a 1, com dois gols de Jude Bellingham. A Argentina, atual campeã mundial, superou a Suíça por 3 a 1, com Julián Álvarez decidindo no tempo extra em lance que passou pelo VAR.

Para a Inglaterra, é a chance de disputar uma final depois de quase seis décadas — o único título inglês segue sendo o de 1966. Para a Argentina, é a possibilidade de alcançar uma nova decisão logo após o tetracampeonato conquistado no Catar, em 2022.

1966: a primeira grande faísca da rivalidade

O confronto que acendeu a rivalidade aconteceu nas quartas de final da Copa de 1966, em Wembley. A Inglaterra venceu por 1 a 0, mas o resultado ficou em segundo plano diante da expulsão do capitão argentino Antonio Rattín, em uma decisão muito contestada pelos sul-americanos. Rattín deixou o campo protestando e, segundo relatos da época, chegou a se sentar no tapete reservado à realeza britânica antes de sair. A seleção inglesa seguiu no torneio e conquistou, naquele mesmo ano, seu único título mundial.

1986: a Mão de Deus e o Gol do Século

Se 1966 criou a rivalidade, 1986 a transformou em lenda. Nas quartas de final da Copa do México, quatro anos após a Guerra das Malvinas, a Argentina venceu por 2 a 1 com dois gols de Diego Maradona. O primeiro, batizado de “Mão de Deus”, saiu de um desvio ilegal com a mão que o árbitro não percebeu. Minutos depois, veio o “Gol do Século”: Maradona arrancou do campo de defesa, driblou boa parte da seleção inglesa e finalizou para o gol. O clima político da época — o jogo aconteceu poucos anos depois do conflito pelas ilhas Malvinas — deu ao resultado um simbolismo que ultrapassou o futebol.

1998: o empate, os pênaltis e a expulsão de Beckham

Doze anos depois, as seleções voltaram a se cruzar nas oitavas de final da Copa da França. O jogo terminou empatado por 2 a 2 no tempo normal, e a Argentina avançou nos pênaltis, por 4 a 3. A partida também é lembrada pela expulsão de David Beckham, expulso após reagir a uma provocação do argentino Diego Simeone — um episódio que perseguiria o jogador inglês por anos na imprensa britânica.

2002: o troco de Beckham na fase de grupos

Quatro anos mais tarde, no Mundial do Japão e da Coreia do Sul, as seleções se encontraram na fase de grupos. A Inglaterra venceu por 1 a 0, com gol de pênalti do próprio David Beckham — para muita gente, uma resposta pessoal ao que havia acontecido em 1998. Foi a última vez, até esta Copa de 2026, que Inglaterra e Argentina se enfrentaram em um Mundial.

Histórico geral: como fica o retrospecto

Contando apenas os jogos disputados em Copas do Mundo, a Inglaterra leva vantagem: são três vitórias (1962, 1966 e 2002) contra duas classificações argentinas (1986 e 1998, esta última nos pênaltis), sem nenhum empate direto no tempo normal que não tenha sido decidido depois. Ampliando para todos os confrontos entre as seleções — incluindo amistosos —, o retrospecto é de seis vitórias inglesas, duas argentinas e seis empates em 14 partidas. O último encontro fora de Copa aconteceu em 2005, com vitória inglesa por 3 a 2, em amistoso.

Análise: por que esse confronto pesa mais do que o de outras seleções

Chama atenção o fato de Inglaterra e Argentina não terem uma rivalidade “de calendário”: não estão no mesmo continente, não disputam eliminatórias entre si e raramente se enfrentam fora de Copas. Ainda assim, cada encontro mundialista virou um marco. Isso tem menos a ver com frequência e mais com o momento em que os jogos aconteceram — 1966 e a briga por hegemonia do futebol europeu, 1986 com o pano de fundo da guerra, 1998 com a rivalidade pessoal entre jogadores. É um padrão que se repete: o resultado quase sempre fica em segundo plano diante do episódio que o cerca.

Do ponto de vista tático, a Argentina de Lionel Scaloni chega mais equilibrada: mantém a solidez que marcou o título de 2022 e tem em Julián Álvarez uma opção que se movimenta entre as linhas para aliviar a marcação sobre Messi. A Inglaterra de Thomas Tuchel depende fortemente da dupla Kane-Bellingham para resolver jogos truncados, mas tem mostrado fragilidade defensiva em alguns momentos da competição — um ponto que a Argentina, com o melhor ataque do torneio, tende a testar.

Destaques individuais que marcaram a rivalidade

  • Diego Maradona (1986): autor dos dois gols mais comentados da história das Copas, em uma única partida.
  • Antonio Rattín (1966): sua expulsão símbolo transformou um jogo de quartas de final em marco da rivalidade.
  • David Beckham (1998 e 2002): expulso em 1998, decisivo de pênalti em 2002 — um arco de revanche pessoal.
  • Jude Bellingham (2026): dois gols na virada sobre a Noruega, chegando a seis gols na competição, mesma marca de Harry Kane.
  • Julián Álvarez (2026): gol decisivo na prorrogação contra a Suíça, garantindo a vaga argentina na semifinal.

Números da campanha até aqui

A Argentina chega à semifinal com o melhor ataque da Copa, com 17 gols marcados, e tem Lionel Messi como artilheiro do torneio, com oito gols. Do lado inglês, Harry Kane e Jude Bellingham somam seis gols cada, sendo os dois grandes responsáveis por manter a seleção viva nas fases eliminatórias. Segundo dados da Opta, a Argentina não conquista um clean sheet contra a Inglaterra há cinco confrontos consecutivos entre as seleções.

Curiosidades sobre a rivalidade

  • Segundo relatos de historiadores do futebol, o episódio da expulsão de Rattín em 1966 está entre as inspirações que levaram à criação oficial dos cartões amarelo e vermelho, adotados pela primeira vez na Copa de 1970.
  • A Inglaterra não perde de Argentina em Copas do Mundo desde 1986 — a vitória argentina daquele ano segue sendo a única da seleção sul-americana sobre a inglesa em Mundiais.
  • Antes desta Copa de 2026, a última vez que as seleções se enfrentaram em qualquer competição havia sido em 2005, em amistoso.
  • Esta é a primeira vez na história que Inglaterra e Argentina disputam diretamente uma vaga na final de uma Copa do Mundo.

Perguntas frequentes

Quantas vezes Inglaterra e Argentina já se enfrentaram em Copas do Mundo? Cinco vezes, contando o duelo de 2026: 1962, 1966, 1986, 1998 e 2002.

Quem venceu o jogo da Mão de Deus? A Argentina venceu por 2 a 1, nas quartas de final da Copa de 1986, com dois gols de Diego Maradona.

Qual o retrospecto de Inglaterra x Argentina em Copas do Mundo? Considerando apenas jogos de Mundial, a Inglaterra tem três vitórias e a Argentina, duas classificações — uma delas nos pênaltis, em 1998.

Quando é a semifinal entre Inglaterra e Argentina na Copa de 2026? Na quarta-feira (15), às 16h (horário de Brasília), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta.

Conclusão

O retrospecto entre Inglaterra e Argentina em Copas do Mundo mostra um padrão raro: poucos jogos, mas quase todos decisivos para a história do torneio. De Rattín a Maradona, passando pela expulsão e pela redenção de Beckham, cada encontro deixou uma marca que vai além do placar. A semifinal de 2026 já nasce com um ineditismo próprio — a primeira vez que as duas seleções brigam diretamente por uma vaga na final —, o que só reforça o peso histórico dessa rivalidade transatlântica. Resta saber que nome vai se juntar a Maradona e Beckham na galeria de protagonistas deste confronto.


Fontes: CNN Brasil, Sofascore (dados Opta), 365Scores, Exame, Terra, Playmaker Brasil, Imortais do Futebol, Rádio Itatiaia, Noite de Copa.

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