Quem é Ismail Elfath? Conheça o árbitro da semifinal entre Argentina e Inglaterra no Mundial
A FIFA confirmou o americano Ismail Elfath como árbitro principal da semifinal entre Argentina e Inglaterra, disputada na quarta-feira (15) no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta. Foi a quarta partida do juiz de 44 anos nesta Copa do Mundo e a maior responsabilidade que ele já assumiu como árbitro central em um Mundial de adultos.
A escolha não foi aleatória. Elfath já vinha de uma sequência sólida na competição — dirigiu Países Baixos 2 x 2 Japão na fase de grupos, Espanha 1 x 0 Uruguai também na fase de grupos e Brasil 1 x 2 Noruega nas oitavas de final. Diante do histórico acumulado e da avaliação técnica da comissão de arbitragem da FIFA, ele foi indicado para um dos jogos mais aguardados do torneio, auxiliado pelos compatriotas Corey Parker e Kyle Atkins nas linhas. O italiano Maurizio Mariani atuou como quarto árbitro, com Daniele Bindoni como assistente de reserva.
Em campo, Argentina buscou a virada nos minutos finais. Depois de sair atrás com gol de Anthony Gordon aos 54 minutos, a seleção de Lionel Scaloni empatou com Enzo Fernández aos 85 e decretou a virada com Lautaro Martínez, em lance iniciado por Lionel Messi, já nos acréscimos. O 2 a 1 garantiu à Argentina vaga na final de domingo (19), contra a Espanha, em Nova Jersey.

Quem é o árbitro por trás do apito
Nascido em Casablanca, no Marrocos, em 3 de março de 1982, Elfath migrou para os Estados Unidos aos 18 anos, onde se formou em engenharia mecânica pela Universidade do Texas, em Austin. A carreira na engenharia, porém, ficou para trás conforme o apito foi ganhando espaço em sua rotina. Naturalizado americano, ele soma hoje mais de uma década como árbitro internacional.
Elfath recebeu o distintivo de árbitro FIFA em 2016 — mesmo ano em que protagonizou um marco histórico do futebol mundial: apitou a primeira partida da história com revisão de VAR em campo, em um duelo da USL entre o New York Red Bulls II e o Orlando City B. De lá para cá, construiu carreira também na MLS, liga em que já foi eleito duas vezes árbitro do ano (2020 e 2022), além de ter dirigido partidas na J1 League japonesa e na liga saudita.
Antes desta Copa, ele já havia atuado em competições como Gold Cup, Liga das Nações da Concacaf, Mundial Sub-20, Mundial de Clubes, Copa América e Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. A experiência em Copas do Mundo começou no Catar, em 2022, quando foi o quarto árbitro na final entre Argentina e França, vencida pelos argentinos nos pênaltis sob o comando principal do polonês Szymon Marciniak.

Como foi a atuação na semifinal
O confronto entre argentinos e ingleses foi truncado e disputado, mas não gerou grandes polêmicas de arbitragem — ao contrário do que ocorreu na outra semifinal, entre Espanha e França. A partida teve 26 faltas marcadas e quatro cartões amarelos, sendo três para a Argentina e um para a Inglaterra. Elfath deixou o jogo correr mais do que o habitual, especialmente na etapa inicial, quando as entradas mais duras entre os dois times poderiam ter resultado em mais advertências.
Não houve necessidade de recorrer ao VAR para lances de pênalti ou expulsão, o que ajudou a manter a avaliação do trabalho arbitral dentro da normalidade. Foi a primeira vez que as duas semifinais de um Mundial tiveram árbitros centrais oriundos da Concacaf.
O apelido que gerou debate
Antes da bola rolar, a escalação de Elfath rendeu discussão na imprensa inglesa. O motivo é uma estatística curiosa: em cinco ocasiões anteriores em que apitou partidas com Lionel Messi em campo — considerando MLS, a final da Leagues Cup de 2023 e a final do Mundial do Catar como quarto árbitro —, o time do argentino nunca perdeu. A coincidência rendeu ao americano o apelido informal de “árbitro da sorte” de Messi entre torcedores e comentaristas, ainda que não haja qualquer indício de favorecimento nas atuações anteriores do juiz.
Estatísticas de Ismail Elfath
- Jogos internacionais na carreira: mais de 268
- Jogos nesta Copa do Mundo: 4 (fase de grupos, oitavas e semifinal)
- Média de cartões amarelos: 3,85 por partida
- Expulsões na carreira: 69 (36 com vermelho direto e 33 por dupla amonestação)
- Pênaltis assinalados nesta Copa: 2, ambos a favor do Brasil contra a Noruega
- Faltas na semifinal Argentina x Inglaterra: 26
O que vem pela frente
Com a atuação na semifinal encerrada, a definição do árbitro da grande final de domingo, entre Argentina e Espanha, ainda está em aberto. A FIFA trabalha com uma lista reduzida de candidatos, entre eles o próprio Marciniak — que já dirigiu a decisão de 2022 — e o esloveno Slavko Vinčić, avaliados como os nomes mais fortes do momento. A tendência é que a entidade evite escalar um árbitro da mesma confederação de uma das seleções finalistas, critério que pesa contra nomes sul-americanos caso o Brasil não esteja envolvido diretamente na decisão.
Antes disso, o sábado (18) tem a disputa pelo terceiro lugar, entre Inglaterra e França, no estádio de Miami.
Resumo
- Árbitro confirmado: Ismail Elfath comandou Argentina 2 x 1 Inglaterra na semifinal de 15 de julho, em Atlanta
- Experiência em Copas: segunda participação em Mundiais, após ter sido quarto árbitro na final de 2022
- Histórico internacional: mais de 268 jogos, árbitro FIFA desde 2016, duas vezes eleito o melhor da MLS
- O que se viu em campo: partida truncada, 26 faltas, quatro amarelos e nenhuma necessidade de VAR
- Próximo desafio: a definição do árbitro da final entre Argentina e Espanha, marcada para domingo (19), ainda depende de confirmação da FIFA
