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Como França, Espanha, Inglaterra e Argentina chegaram às semifinais da Copa do Mundo 2026

A fase de grupos mais longa da história da Copa, o inédito mata-mata de 16-avos e um calendário de 39 dias já ficaram para trás. O que sobrou foi uma seleção de luxo: França, Espanha, Inglaterra e Argentina, as quatro únicas equipes do top 4 que já ergueram a taça alguma vez — algo que não acontecia neste século. Analisando o caminho de cada uma até aqui, dá para perceber que a frase “chegou fácil” só serve, de fato, para uma delas.

Fiz questão de olhar jogo a jogo dessas quatro campanhas, porque números soltos escondem detalhes importantes: quem sofreu para passar, quem ainda não tomou sustos e quem está sobrevivendo mais na raça do que no futebol bonito. E as diferenças, garanto, são bem maiores do que os resultados finais sugerem.

A campanha da França

Se existe uma seleção que atravessou o Mundial como se estivesse em outro campeonato, essa seleção é a França. Na fase de grupos, o time de Didier Deschamps teve campanha perfeita no Grupo I: 3 a 1 no Senegal, 3 a 0 no Iraque e, na rodada decisiva, um contundente 4 a 1 sobre a Noruega, com hat-trick de Ousmane Dembélé, fechando com nove pontos em nove possíveis.

O mata-mata seguiu no mesmo ritmo. Nos 16-avos, goleada por 3 a 0 na Suécia, com Mbappé duas vezes. Nas oitavas, contra um Paraguai extremamente fechado, só deu para abrir o placar num pênalti do capitão francês, fechando em 1 a 0. Já nas quartas, diante de um Marrocos que vinha de campanha histórica, Mbappé voltou a marcar — mesmo depois de desperdiçar outro pênalti — e Dembélé ampliou: 2 a 0, sem sustos.

O que chama atenção na França não é só o resultado, é a régua: cinco jogos, cinco vitórias, nenhum gol sofrido no mata-mata até aqui. Segundo o supercomputador da Opta, é a maior favorita ao título, com quase 34% de chance de ficar com a taça.

A campanha da Espanha

A Espanha optou por outro caminho para o mesmo lugar: solidez defensiva raiada. Terminou o Grupo H com sete pontos, depois de um 0 a 0 truncado contra Cabo Verde, uma goleada por 4 a 0 na Arábia Saudita e um discreto 1 a 0 sobre o Uruguai.

Nos 16-avos, resolveu com autoridade diante da Áustria, 3 a 0. Nas oitavas veio o verdadeiro teste: o clássico ibérico contra Portugal, resolvido só nos acréscimos, com gol de Mikel Merino aos 91 minutos — um Portugal x Espanha decidido no detalhe, como costuma ser. A cada dessas quatro partidas, vale destacar, a Espanha não havia sofrido nenhum gol.

Essa invencibilidade acabou nas quartas, diante da Bélgica, num jogo bem mais aberto que os anteriores, vencido por 2 a 1. Ainda assim, é uma campanha de equipe extremamente organizada, com Luis de la Fuente mantendo a base que fez a Espanha ser campeã da Eurocopa de 2024. Para a Opta, é a segunda maior favorita, com pouco mais de 24% de chance de título.

A campanha da Inglaterra

A Inglaterra fez o percurso mais irregular entre as quatro, mas também um dos mais eficientes quando o jogo ficou difícil. Na fase de grupos, venceu Croácia e Panamá e ficou no 0 a 0 contra Gana — o suficiente para liderar o Grupo L, ainda que sem convencer totalmente.

Nos 16-avos, sofreu, mas buscou a virada contra a RD Congo por 2 a 1. Nas oitavas veio o momento mais dramático da campanha: 3 a 2 sobre o México, no Azteca, com um Jude Bellingham em noite inspirada — dois gols na etapa inicial — e um pênalti de Harry Kane, mesmo com a Inglaterra jogando praticamente todo o segundo tempo com um a menos, após expulsão de Jarell Quansah. Foi a primeira derrota do México em casa em toda a história das Copas.

Nas quartas, diante da Noruega revelação de Erling Haaland, outro jogo de collar apertado, resolvido na prorrogação por 2 a 1, mais uma vez com Bellingham decisivo. Vice-campeã da Euro 2024, semifinalista em 2018 e quartas-finalista em 2022, a Inglaterra de Thomas Tuchel tenta repetir — ou superar — os resultados recentes. Aparece em terceiro no ranking da Opta, com quase 22% de chance de título.

A campanha da Argentina

A atual campeã mundial é, paradoxalmente, quem mais sofreu para chegar até aqui — o que, à primeira vista, soa estranho para quem só olha o placar da fase de grupos. No Grupo J, a Argentina teve campanha impecável: 3 a 0 na Argélia, 2 a 0 na Áustria e 3 a 1 na Jordânia, com Messi balançando as redes em todos os jogos.

A partir daí, o roteiro mudou completamente. Nos 16-avos, precisou da prorrogação para superar um surpreendente Cabo Verde, que estreava em Copas: 3 a 2, com gol de Messi, um empate cabo-verdiano heroico e a definição só saindo no fim da segunda etapa extra, em gol contra. Nas oitavas, novo sufoco — dessa vez contra o Egito, que chegou a abrir 2 a 0. A Argentina ainda desperdiçou um pênalti com Messi, mas reagiu e fechou em 3 a 2. Nas quartas, contra a Suíça, mais um resultado apertado: 3 a 1.

Cinco jogos, cinco vitórias — no papel, uma campanha perfeita. Na prática, três delas seguidas com sobressaltos seríssimos. Mesmo sendo a atual campeã, a Argentina aparece como a “azarona” das quatro semifinalistas na projeção da Opta, com pouco mais de 20% de chance de título — o que só reforça como o caminho até aqui foi mais sofrido que o dos rivais.

Comparação entre as campanhas

Colocando lado a lado, o contraste fica bem claro:

  • França: cinco vitórias, nenhum gol sofrido no mata-mata, ampla margem em quatro dos cinco jogos.
  • Espanha: quatro jogos sem sofrer gol, resolveu um clássico contra Portugal nos acréscimos, só foi realmente testada nas quartas.
  • Inglaterra: campanha de altos e baixos, com dois jogos decididos apenas nos minutos finais ou na prorrogação, mas sempre respondendo bem sob pressão.
  • Argentina: cinco vitórias, mas três seguidas com sustos grandes — prorrogação, pênalti perdido e reação após sair atrás no placar.

Ou seja: enquanto França e Espanha impressionam pela solidez, Inglaterra e Argentina vêm mostrando que sabem sofrer e ainda assim buscar o resultado — o que, em mata-mata de Copa, muitas vezes pesa tanto quanto o futebol bonito.

Quem chega mais forte

Pelos números e pelo olho, a França é quem chega em melhor momento: nenhum gol sofrido no mata-mata, ataque afiadíssimo com Mbappé e Dembélé somando treze gols juntos, e a confiança de quem não foi seriamente testada. A Espanha vem logo atrás, com a organização defensiva mais consistente do Mundial até sofrer o primeiro gol nas quartas.

Já Inglaterra e Argentina têm currículo pesado — vice de Euro, campeã do mundo em exercício — mas chegam mostrando fragilidades que os adversários vão tentar explorar: a Inglaterra sofre para sair na frente, e a Argentina segue muito dependente de momentos individuais de Messi para reverter jogos complicados.

Curiosidades

  • É a primeira vez neste século que as quatro semifinalistas de uma Copa do Mundo já foram campeãs mundiais alguma vez — nas edições anteriores sempre havia um “intruso”, como Marrocos em 2022, Croácia em 2018 ou a Turquia em 2002.
  • Mbappé e Messi dividiram a artilharia da competição por boa parte do torneio, com a França também contando com Dembélé em grande fase.
  • Inglaterra e Argentina somam um histórico de rivalidade que passa longe do futebol, ligado ao conflito das Malvinas — o duelo das semis reacende essa tensão extra-campo.
  • Espanha e França se enfrentaram recentemente em um jogo eletrizante pela Nations League de 2025, terminado em 5 a 4 para a Espanha, depois de a equipe ibérica chegar a vencer por 5 a 1.
  • O México foi derrotado pela Inglaterra nas oitavas e sofreu, ali, a primeira derrota da sua história jogando no Estádio Azteca em Copas do Mundo.
  • Cabo Verde, estreante em Mundiais, quase eliminou a atual campeã Argentina nos 16-avos, sendo eliminada apenas na prorrogação.

FAQ

Quando são os jogos das semifinais? França e Espanha se enfrentam em 14 de julho, no AT&T Stadium, em Dallas. Inglaterra e Argentina jogam em 15 de julho, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta. Ambas as partidas começam às 16h (horário de Brasília).

Quando e onde é a final da Copa do Mundo 2026? A grande decisão está marcada para 19 de julho, às 16h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey.

Quem é a favorita ao título segundo as projeções estatísticas? De acordo com o supercomputador da Opta, a França lidera as chances de título (cerca de 34%), seguida por Espanha (24%), Inglaterra (22%) e Argentina (20%).

Alguma das quatro seleções está invicta na Copa? Sim, todas as quatro venceram todos os seus cinco jogos disputados até aqui — a diferença está no quanto cada uma sofreu para conquistar essas vitórias.

Quando é o jogo do terceiro lugar? A disputa pela terceira colocação, entre as duas seleções derrotadas nas semifinais, acontece em 18 de julho.

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